terça-feira, 14 de maio de 2024

(stargazing)

E o friozinho na barriga cresce.
Sempre segura e dona de si, nunca se deixou abalar pelas tempestades que foram surgindo. 
Sempre de escudo e espada na mão, sobretudo quando era pelos outros. 
Mas há dias assim, em que se baixa a guarda e quando menos se espera, somos bombardeados. 
Seria mais fácil pegar na espada e seguir caminho mas, e o que ficou para trás? 

Ela ergue-se, diz não fugir às batalhas, arregaça as mangas e faz de si o escudo que precisa e que sempre teve consigo. Enche-se de coragem e enfrenta as sombras, aquelas que não a deixam avançar, que sempre colocam mais pedras no caminho e a arrastam. As mesmas que a atormentam em noites frias, e em dias em que o sol não se faz sentir.

É invadida pela sensação antes do salto. Aquele friozinho na barriga que lhe diz para avançar. 
Os pés permanecem imóveis a apoiar um possível retorno, mas os braços avançam, ao encontro de abraços que também a fortalecem e garantem ser escudo e armadura. As sombras parecem recuar à medida que o encontro das mãos acontece, as estrelas refletem a luz que os rostos irradiam.

O batimento acelera e ela sabe, ali sabe, que há batalhas que valem a pena lutar, com as tropas corretas ao lado.

#Stargazing - Myles Smith

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

(neblina)

Contive-me para não te escrever. Mesmo querendo saber como estás, se descansaste o suficiente durante a noite e do cansaço acumulado do stress desse teu dia-a-dia. Escrever é tudo o que consigo. Não tenho voz e apesar de levemente solto, o nó que tinha no peito alojou-se na garganta impedindo-me de gritar. Controlo as lágrimas que estupidamente, escolhem-me pelo rosto quando questionada se está tudo bem. Mas não quando falam de ti. Ao falar de ti finjo uma frieza que não tenho, visto a capa dura de quem sabe lidar com o meta verso onde agora estamos. A viver o mesmo dia mas em espaços diferentes. O dia é mais vazio. O telemóvel não notifica a tua presença, aquela em que mesmo em longos períodos de ausência eu apaziguava a saudade. Saudade ao lembrar dos abraços, embalados pelo ritmo cardíaco que desacelerava a cada respiração e que embalava os meus sonhos. Pensava eu, ser um caos total, que havia encontrado calmaria nesse mar que és sem saber da braveza das ondas que trazes dentro. Arrisquei-me a mergulhar sem pensar voltar mas trouxeste-me à costa, à terra firme de onde tanto quero sair. Não sei porque oceanos andas ou o que esperas encontrar, mas continuo ancorada perdida na neblina, embalada pelo rebentar das ondas que entoam no vazio que deixaste.